
ANNE RICE
Howard Allen Frances O´Brien, ou Anne Rice, como ficou conhecida, nasceu em 1941, na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Ainda jovem decidiu trocar seu nome para Anne.
Anne Rice desde a infância, sentia-se diferente das outras crianças, nunca se encaixando em expectativas sociais. Sua imaginação desenvolveu-se e populou um mundo de fantasias, usando vários elementos de mistério e sobrenatural. Cresceu na vizinhança de Garden District, e suas casas de época e ambientação soturna, foram grandes inspiradores para os cenários de seus futuros livros.
Muito jovem foi exposta à tragédias da vida, perdendo sua mãe Katherine, dependente alcoólica, aos 14 anos de idade. Dois anos mais tarde seu pai se casa novamente e a família se muda para a cidade de Richardson, no Texas, onde conheceria seu futuro marido, o poeta e pintor Stan Rice.
Aos 20 anos, Anne escreve suas primeiras histórias, com temas sobre sexo e erotismo, que na época a fascinavam.
Em 1972, aos 30 anos, Anne perde sua filha Michele, de cinco anos de idade, vítima de leucemia. Anne fica arrasada e passa quase um ano alcoolizada, incapaz de recuperar-se de tal choque. Quando em 1973, em cerca de 5 semanas, ela escreve o livro Entrevista com o Vampiro, a partir de um conto produzido em 1969. Recusado na primeira tentativa de publicação, em 1974, acabou saindo dois anos depois, pela editora Knopf, que até hoje publica os livros da autora.
No livro, Anne retrata sua filha na personagem Claudia de 6 anos de idade, que é forçada a viver eternamente como criança, após virar vampira. Tal sentimento de "imortalidade", ocasionado por tais tragédias em sua vida, acabam sendo o grande motivo de tal fascínio por Vampiros, personagens principais de seus livros seguintes.
Assim, esse primeiro livro, que acabou virando um grande, e certamente o maior, sucesso da escritora, deu origem a uma série de romances sobre vampiros, intituladas "As Crônicas Vampirescas", que incluem ainda: O vampiro Lestat (1985), A rainha dos condenados (1988), A história do ladrão de corpos (1992), Memnoch, o demônio (1995), Pandora (1998), O vampiro Armand (1998), O vampiro Vittorio (1999), Merrick (2000), Sangue e Ouro (2001), Fazenda Blackwood (2002) e Cântico de Sangue (2003).
Em 1972, aos 30 anos, Anne perde sua filha Michele, de cinco anos de idade, vítima de leucemia. Anne fica arrasada e passa quase um ano alcoolizada, incapaz de recuperar-se de tal choque. Quando em 1973, em cerca de 5 semanas, ela escreve o livro Entrevista com o Vampiro, a partir de um conto produzido em 1969. Recusado na primeira tentativa de publicação, em 1974, acabou saindo dois anos depois, pela editora Knopf, que até hoje publica os livros da autora.
No livro, Anne retrata sua filha na personagem Claudia de 6 anos de idade, que é forçada a viver eternamente como criança, após virar vampira. Tal sentimento de "imortalidade", ocasionado por tais tragédias em sua vida, acabam sendo o grande motivo de tal fascínio por Vampiros, personagens principais de seus livros seguintes.
Assim, esse primeiro livro, que acabou virando um grande, e certamente o maior, sucesso da escritora, deu origem a uma série de romances sobre vampiros, intituladas "As Crônicas Vampirescas", que incluem ainda: O vampiro Lestat (1985), A rainha dos condenados (1988), A história do ladrão de corpos (1992), Memnoch, o demônio (1995), Pandora (1998), O vampiro Armand (1998), O vampiro Vittorio (1999), Merrick (2000), Sangue e Ouro (2001), Fazenda Blackwood (2002) e Cântico de Sangue (2003).

Outros romances famosos da escritora, também tem temática sobrenatural, como por exemplo: A Hora as bruxas (1990). Com o seu incrível fascínio pela música, escreveu sobre a mesma em dois romances, Violino (1996) e Chore para o céu (1982), história de um "castratto" veneziano do século XVIII.
Em outros gêneros, Anne Rice usou pseudônimos como o de Anne Rampling em romances mais comerciais: Exit to Eden (1985) e Belinda (1986), e o de A.N. Roquelaure na trilogia erótica Beauty (1983-1985), na qual conta a fábula da Bela Adormecida, começando com um príncipe a despertando com requintes sadomasoquistas.
Ainda assim o ponto forte da autora sempre foi sua incursão à fantasia. Geralmente os personagens sobrenaturais que cria, procuram por sua identidade numa espécie de "subcultura vampírica" que mescla morte e sexualidade. Ela invariavelmente apresenta seus vampiros como indivíduos com suas paixões, teorias, sentimentos, defeitos e qualidades como os seres humanos, mas tendo que lutar pela sua sobrevivência através do sangue de suas vítimas e sua própria existência, que para alguns deles, é um fardo a ser carregado através dos milênios. São temas também desses romances o homossexualismo, o ateísmo, a imortalidade, a vaidade e as relações entre o bem e o mal.
Dois de seus livros tornaram-se filmes: Entrevista com o Vampiro (1994) e A Rainha dos Condenandos (2002). O primeiro foi acompanhado de perto por Anne Rice que fez questão que a produção não fugisse dos elementos oriundos ao livro. Acabou se tornando um grande sucesso do cinema. Já o filme A Rainha dos Condenados foi feito sem sua colaboração e acabou sendo pouco fiel ao livro, não agradando ao público e sendo bastante criticado.
Em 2002, seu marido Stan Rice morre, vítima de um tumor cerebral. E Anne passa por mais uma fase turbulenta, descobrindo inclusive ser diabética.
Assim, em 2005, Anne declara que deixaria de escrever obras sobre vampiros, bruxas e outros seres fantásticos, e se dedicaria a outros gêneros literários. Lança então, mesmo ano, o livro Cristo Senhor: a Saída do Egito, que retrata o jovem Jesus, então aos sete anos de idade, partindo do Egito com a família para voltar para sua casa em Nazaré.
Em 2008, Anne lança um livro de memórias intitulado Chamado para fora da escuridão: uma confissão espiritual, o que demonstra claramente seu novo rumo literário, "o cristão". Nele a escritora se remete a sua infância e em épocas em que possuía uma fervorosa fé católica e que os últimos acontecimentos em sua vida acabaram fazendo retornar tal sentimento de devoção.
Independente dos estilos, temas ou ideologias que a escritora possa seguir daqui para frente, Anne Rice será sempre lembrada como a rainha do horror gótico e vampírico.
Em outros gêneros, Anne Rice usou pseudônimos como o de Anne Rampling em romances mais comerciais: Exit to Eden (1985) e Belinda (1986), e o de A.N. Roquelaure na trilogia erótica Beauty (1983-1985), na qual conta a fábula da Bela Adormecida, começando com um príncipe a despertando com requintes sadomasoquistas.
Ainda assim o ponto forte da autora sempre foi sua incursão à fantasia. Geralmente os personagens sobrenaturais que cria, procuram por sua identidade numa espécie de "subcultura vampírica" que mescla morte e sexualidade. Ela invariavelmente apresenta seus vampiros como indivíduos com suas paixões, teorias, sentimentos, defeitos e qualidades como os seres humanos, mas tendo que lutar pela sua sobrevivência através do sangue de suas vítimas e sua própria existência, que para alguns deles, é um fardo a ser carregado através dos milênios. São temas também desses romances o homossexualismo, o ateísmo, a imortalidade, a vaidade e as relações entre o bem e o mal.
Dois de seus livros tornaram-se filmes: Entrevista com o Vampiro (1994) e A Rainha dos Condenandos (2002). O primeiro foi acompanhado de perto por Anne Rice que fez questão que a produção não fugisse dos elementos oriundos ao livro. Acabou se tornando um grande sucesso do cinema. Já o filme A Rainha dos Condenados foi feito sem sua colaboração e acabou sendo pouco fiel ao livro, não agradando ao público e sendo bastante criticado.
Em 2002, seu marido Stan Rice morre, vítima de um tumor cerebral. E Anne passa por mais uma fase turbulenta, descobrindo inclusive ser diabética.
Assim, em 2005, Anne declara que deixaria de escrever obras sobre vampiros, bruxas e outros seres fantásticos, e se dedicaria a outros gêneros literários. Lança então, mesmo ano, o livro Cristo Senhor: a Saída do Egito, que retrata o jovem Jesus, então aos sete anos de idade, partindo do Egito com a família para voltar para sua casa em Nazaré.
Em 2008, Anne lança um livro de memórias intitulado Chamado para fora da escuridão: uma confissão espiritual, o que demonstra claramente seu novo rumo literário, "o cristão". Nele a escritora se remete a sua infância e em épocas em que possuía uma fervorosa fé católica e que os últimos acontecimentos em sua vida acabaram fazendo retornar tal sentimento de devoção.
Independente dos estilos, temas ou ideologias que a escritora possa seguir daqui para frente, Anne Rice será sempre lembrada como a rainha do horror gótico e vampírico.
Livros Publicados:
Série Crônicas Vampirescas:
* Interview with the vampire (1976) / Entrevista com o vampiro
* The Vampire Lestat (1985) / O Vampiro Lestat
* The Queen of the Damned (1988) / A Rainha dos Condenados
* The Tale of the Body Thief (1992) / A História do Ladrão de Corpos
* Memnoch The Devil (1995) / Memnoch
* Armand (1998) / O Vampiro Armand
* Merrick (2000) / Merrick
* Blood and Gold (2001) / Sangue e Ouro
* Blackwood Farm (2002) / Fazenda Blackwood
* Blood Canticle (2003)/Cânticos de Sangue
Série Novos Contos de Vampiros:
* Pandora (1997) / Pandora
* Vittorio the Vampire (1998) / Vittorio, o Vampiro
Série Bruxas Mayfair:
* The Witching Hour (1990) / A Hora das Bruxas I e II
* Lasher (1993) / Lasher
* Taltos (1994) / Taltos
Série Beauty:
(todos como A. N. Roquelaure)
* The Claiming of Sleeping Beauty (1983)/ O Sequestro da Bela Adormecida
* Beauty's Punishment (1984)/ O Castigo da Bela adormecida
* Beauty's Release (1985)/ A Libertação (ou "liberdade") da Bela Adormecida
Romances únicos:
* The Feast of All Saints (1979) - A Festa de Todos os Santos
* Cry to Heaven (1982) - Chore para o Céu
* Exit to Eden (1985)(como Anne Rampling) -
* Belinda (1986) (como Anne Rampling) -
* The Mummy (1989) - A Múmia ou Ramsés ,o maldito
* Servant of the Bones (1996) - O Servo dos Ossos
* Violin (1997) - Violino
* The Master of Rampling Gate (2002) - O Senhor de Rampling Gate (Publicado no Brasil no livro “Os 13 Melhores Contos de Vampiros”, de Flávio Moreira da Costa)
* Christ The Lord: Out of Egypt (2005) - Cristo, O Senhor: a Saída do Egito
* Christ The Lord: The Road to Cana (200?)
* Called Out of Darkness (200?)
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ALVARES DE AZEVEDO

Em 12 e Setembro de 1831, nascia em São Paulo, Manuel Antônio Álvares de Azevedo. Filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luiza Mota Azevedo, o poeta, contista e ensaísta Álvares de Azevedo, teria nascido na sala da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo; porém, foi constatado que o nascimento se deu na casa do avô paterno, Severo Mota.
Filho de família ilustre, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1833, e em 1840 ingressou no Colégio Stoll; retornando a São Paulo em 1844. Regressou para o Rio de Janeiro no ano seguinte e matriculou-se no Colégio Pedro II. Finalmente, em 1848 entrou para a Faculdade de Direito de São Paulo. Tendo uma vida literária intensa, Álvares de Azevedo foi fundador da Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano.
Fortemente influenciado por Lord Byron e Musset, Álvares de Azevedo inseriu em suas poesias elementos da linguagem desses escritores. A melancolia e a presença constante da morte eram temas perenes em suas obras.
Álvares de Azevedo era de pouca vitalidade e o desconforto das repúblicas aliado ao esforço intelectual intenso, enfraqueciam sua saúde. Entre 1851 e 1852, manifestou-se a tuberculose pulmonar, agravado por uma lesão ocasionada numa queda de cavalo ocorrida no mês anterior. Sofreu uma intervenção cirúrgica que não surtiu efeito, e faleceu às 17 horas no dia 25 de Abril de 1852. Seu corpo foi enterrado no cemitério Pedro II, na Praia Vermelha; em 1854, foi transladado para o cemitério São João Batista.
Se eu morresse amanhã foi escrita dias antes de sua morte e lida no enterro por Joaquim Manuel Macedo. Álvares de Azevedo era amigo de Bernardo Guimarães, Aureliano Lessa e José Bonifácio; com que dividiu as acomodações da Chácara dos Ingleses, em São Paulo.
Entre 1848 e 1851, publicou alguns poemas, artigos e discursos. Depois da sua morte surgiram as Poesias (1853 e 1855), cujas edições sucessivas uniram-se aos outros escritos, alguns dos quais publicados antes em separado. As obras completas, como as conhecemos hoje, compreendem: Lira dos vinte anos, Poesias diversas, O poema do frade e O conde Lopo, poemas narrativos; Macário, "tentativa dramática"; Noite na taverna, contos fantásticos; a terceira parte do romance O livro de Fra Gondicário; os estudos críticos sobre Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla, além de artigos, discursos e 69 cartas.
Preparada para integrar As três liras, projeto de livro conjunto de Álvares de Azevedo, Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, a Lira dos vinte anos é a única obra de Álvares de Azevedo cuja edição foi preparada pelo poeta. Vários poemas foram acrescentados depois da primeira edição (póstuma), à medida que iam sendo descobertos.
A característica intrigante de sua obra reside na articulação consciente de um projeto literário baseado na contradição, talvez a contradição que ele próprio sentisse, na condição de adolescente.
Perfeitamente enquadrada nos dualismos que caracterizam a linguagem romântica, essa contradição é visível nas partes que formam sua obra principal, Lira dos Vinte Anos. A primeira e a terceira partes da obra mostram um Álvares adolescente, casto, sentimental e ingênuo. Já a segunda parte apresenta uma face irreverente, irônica, macabra e por vezes orgíaca e degradada de um moço-velho, isto é, um jovem em conflito com a realidade, tragado pelos vícios e amadurecido precocemente.

A obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher... Em Lembranças de morrer, está o melhor retrato dos sentimentos que envolvem sua vida: "Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens esquecida/ À sombra de uma cruz e escrevam nela:/ - Foi poeta, sonhou e amou na vida."
ObrasFilho de família ilustre, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1833, e em 1840 ingressou no Colégio Stoll; retornando a São Paulo em 1844. Regressou para o Rio de Janeiro no ano seguinte e matriculou-se no Colégio Pedro II. Finalmente, em 1848 entrou para a Faculdade de Direito de São Paulo. Tendo uma vida literária intensa, Álvares de Azevedo foi fundador da Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano.
Fortemente influenciado por Lord Byron e Musset, Álvares de Azevedo inseriu em suas poesias elementos da linguagem desses escritores. A melancolia e a presença constante da morte eram temas perenes em suas obras.
Álvares de Azevedo era de pouca vitalidade e o desconforto das repúblicas aliado ao esforço intelectual intenso, enfraqueciam sua saúde. Entre 1851 e 1852, manifestou-se a tuberculose pulmonar, agravado por uma lesão ocasionada numa queda de cavalo ocorrida no mês anterior. Sofreu uma intervenção cirúrgica que não surtiu efeito, e faleceu às 17 horas no dia 25 de Abril de 1852. Seu corpo foi enterrado no cemitério Pedro II, na Praia Vermelha; em 1854, foi transladado para o cemitério São João Batista.
Se eu morresse amanhã foi escrita dias antes de sua morte e lida no enterro por Joaquim Manuel Macedo. Álvares de Azevedo era amigo de Bernardo Guimarães, Aureliano Lessa e José Bonifácio; com que dividiu as acomodações da Chácara dos Ingleses, em São Paulo.
Entre 1848 e 1851, publicou alguns poemas, artigos e discursos. Depois da sua morte surgiram as Poesias (1853 e 1855), cujas edições sucessivas uniram-se aos outros escritos, alguns dos quais publicados antes em separado. As obras completas, como as conhecemos hoje, compreendem: Lira dos vinte anos, Poesias diversas, O poema do frade e O conde Lopo, poemas narrativos; Macário, "tentativa dramática"; Noite na taverna, contos fantásticos; a terceira parte do romance O livro de Fra Gondicário; os estudos críticos sobre Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla, além de artigos, discursos e 69 cartas.
Preparada para integrar As três liras, projeto de livro conjunto de Álvares de Azevedo, Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, a Lira dos vinte anos é a única obra de Álvares de Azevedo cuja edição foi preparada pelo poeta. Vários poemas foram acrescentados depois da primeira edição (póstuma), à medida que iam sendo descobertos.
A característica intrigante de sua obra reside na articulação consciente de um projeto literário baseado na contradição, talvez a contradição que ele próprio sentisse, na condição de adolescente.
Perfeitamente enquadrada nos dualismos que caracterizam a linguagem romântica, essa contradição é visível nas partes que formam sua obra principal, Lira dos Vinte Anos. A primeira e a terceira partes da obra mostram um Álvares adolescente, casto, sentimental e ingênuo. Já a segunda parte apresenta uma face irreverente, irônica, macabra e por vezes orgíaca e degradada de um moço-velho, isto é, um jovem em conflito com a realidade, tragado pelos vícios e amadurecido precocemente.

A obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher... Em Lembranças de morrer, está o melhor retrato dos sentimentos que envolvem sua vida: "Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens esquecida/ À sombra de uma cruz e escrevam nela:/ - Foi poeta, sonhou e amou na vida."
* 1853 Poesias de Manuel António Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos (única obra preparada para publicação pelo autor) e Poesias diversas; * 1855 Obras de Manuel António Álvares de Azevedo, primeira publicação da sua prosa (Noite na Taverna); * 1862 Obras de Manuel António Álvares de Azevedo, 2ª e 3ª edições, primeira aparição do Poema do Frade e 3ª parte da Lira. * 1866 O Conde Lopo, poema inédito.Merece um Destaque Especial a "Lira dos Vinte Anos", composta de diversos poemas. A Lira é dividida em três partes, sendo a 1ª e a 3ª da Face Ariel e a 2ª da Face Caliban. A Face Ariel mostra um Álvares de Azevedo ingênuo, casto e inocente. Já a Face Caliban apresenta poemas irônicos e sarcásticos.
Lágrima de Sangue
Ao pé das aras no clarão dos círios
Eu te devera consagrar meus dias;
Perdão, meu Deus! perdão
Se neguei meu Senhor nos meus delírios
E um canto de enganosas melodias
Levou meu coração!
Só tu, só tu podias o meu peito
Fartar de imenso amor e luz infinda
E uma Saudade calma;
Ao sol de tua fé doirar meu leito
E de fulgores inundar ainda
A aurora na minh'alma.
Pela treva do espírito lancei-me,
Das esperanças suicidei-me rindo...
Sufoquei-as sem dó.
No vale dos cadáveres sentei-me
E minhas flores semeei sorrindo
Dos túmulos no pó.
Indolente Vestal, deixei no templo
A pira se apagar — na noite escura
O meu gênio descreu.
Voltei-me para a vida... só contemplo
A cinza da ilusão que ali murmura:
Morre! — tudo morreu!
Cinzas, cinzas... Meu Deus! só tu podias
À alma que se perdeu bradar de novo:
Ressurge-te ao amor!
Malicento, da minhas agonias
Eu deixaria as multidões do povo
Para amar o Senhor!
Do leito aonde o vício acalentou-me
O meu primeiro amor fugiu chorando.
Pobre virgem de Deus!
Um vendaval sem norte arrebatou-me,
Acordei-me na treva... profanando
Os puros sonhos meus!
Oh! se eu pudesse amar!... — É impossível!
Mão fatal escreveu na minha vida;
A dor me envelheceu.
O desespero pálido, impassível
Agoirou minha aurora entristecida,
De meu astro descreu.
Oh! se eu pudesse amar! Mas não:
agora Que a dor emurcheceu meus breves dias,
Quero na cruz sangrenta
Derramá-los na lágrima que implora,
Que mendiga perdão pela agonia
Da noite lutulenta!
Quero na solidão — nas ermas grutas
A tua sombra procurar chorando
Com meu olhar incerto:
As pálpebras doridas nunca enxutas
Queimarei... teus fantasmas invocando
No vento do deserto.
De meus dias a lâmpada se apaga:
Roeram meu viver mortais venenos;
Curvo-me ao vento forte.
Teu fúnebre clarão que a noite alaga,
Como a estrela oriental me guie ao menos
Té o vale da morte!
No mar dos vivos o cadáver bóia
— A lua é descorada como um crânio,
Este sol não reluz:
Quando na morte a pálpebra se engóia,
O anjo se acorda em nós — e subitâneo
Voa ao mundo da luz!
Do val de Josafá pelas gargantas
Uiva na treva o temporal sem norte
E os fantasmas murmuram...
Irei deitar-me nessas trevas santas,
Banhar-me na frieza lustral da morte
Onde as almas se apuram!
Mordendo as clinas do corcel da sombra,
Sufocando, arquejante passarei
Na noite do infinito.
Ouvirei essa voz que a treva assombra,
Dos lábios de minh'alma entornarei
O meu cântico aflito!
Flores cheias de aroma e de alegria,
Por que na primavera abrir cheirosas
E orvalhar-vos abrindo?
As torrentes da morte vêm sombrias,
Hão de amanhã nas águas tenebrosas
Vos rebentar bramindo.
Morrer! morrer! É voz das sepulturas!
Como a lua nas salas festivais
A morte em nós se estampa!
E os pobres sonhadores de venturas
Roxeiam amanhã nos funerais
E vão rolar na campa!
Que vale a glória, a saudação que enleva
Dos hinos triunfais na ardente nota,
E as turbas devaneia?
Tudo isso é vão, e cala-se na treva
— Tudo é vão, como em lábios de idiota
Cantiga sem idéia.
Que importa? quando a morte se descarna,
A esperança do céu flutua e brilha
Do túmulo no leito:
O sepulcro é o ventre onde se encama
Um verbo divinal que Deus perfilha
E abisma no seu peito!
Não chorem! que essa lágrima profunda
Ao cadáver sem luz não dá conforto...
Não o acorda um momento!
Quando a treva medonha o peito inunda,
Derrama-se nas pálpebras do morto
Luar de esquecimento!
Caminha no deserto a caravana,
Numa noite sem lua arqueja e chora...
O termo... é um sigilo!
O meu peito cansou da vida insana;
Da cruz à sombra, junto aos meus, agora
Eu dormirei tranqüilo!
Dorme ali muito amor... muitas amantes,
Donzelas puras que eu sonhei chorando
E vi adormecer.
Ouço da terra cânticos errantes,
E as almas saudosas suspirando,
Que falam em morrer...
Aqui dormem sagradas esperanças,
Almas sublimes que o amor erguia...
E gelaram tão cedo!
Meu pobre sonhador! aí descansas,
Coração que a existência consumia
E roeu um segredo! ...
Quando o trovão romper as sepulturas,
Os crânios confundidos acordando
No lodo tremerão.
No lodo pelas tênebras impuras
Os ossos estalados tiritando
Dos vales surgirão!
Como rugindo a chama encarcerada
Dos negros flancos do vulcão rebenta
Goltejando nos céus,
Entre nuvem ardente e trovejada
Minh'alma se erguerá, fria, sangrenta,
Ao trono de meu Deus...
Perdoa, meu Senhor! O errante crente
Nos desesperos em que a mente abrasas
Não o arrojes p'lo crime!
Se eu fui um anjo que descreu demente
E no oceano do mal rompeu as asas,
Perdão! arrependi-me!
Álvares de Azevedo
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EDGAR ALLAN POEEdgar Allan Poe nasceu em Boston, no dia 19 de Janeiro de 1809. Seu avô David Poe participou da Guerra da Independência, e seu pai (também chamado David Poe) apaixonou-se pela atriz inglesa Elisabeth Arnold, casando-se com ela. Edgar Allan Poe teve dois irmãos e seus pais faleceram pouco tempo depois do nascimento de Rosalie, a filha mais nova do casal. Porém, não ficaram desamparados e foram adotados pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.
Poe estudou em Londres na Stoke-Newington; algum tempo depois continuou seus estudos de volta a Richmond, na Universidade Charlotteville. Allan Poe, apesar de muito inteligente era também muito genioso, e isto lhe valeu a expulsão desta universidade.
Edgar Allan Poe era um jovem aventureiro, romântico, orgulhoso e idealista. Continuou seus estudos em Virgínia, mas também foi expulso por não se enquadrar nos padrões comportamentais daquela época. Na verdade, Allan Poe era um boêmio que vivia no luxo, se entregando à bebida, ao jogo e às mulheres. Mais tarde, foi para a Grécia e ingressou no exército lutando contra os turcos.
Porém, suas ambições militares não vingaram, e perdeu-se nos Balcans chegando até a Rússia, sendo repatriado pelo cônsul americano. De volta a América, descobre que sua mãe adotiva havia falecido.
Logo após, alista-se num Batalhão de artilharia e matricula-se na Academia Militar de West Point. Mas com o lançamento de uma compilação de poesias em 1831, desliga-se da Academia e corta relações com seu pai adotivo, devido ao casamento com outra mulher, o que teria deixado Poe muito contrariado.
Aos 22 anos, vivendo na miséria, publica Poemas. Já em Baltimore procura pelo irmão Willian e assiste a morte dele. Allan Poe passa a viver com uma tia muito pobre e viúva com duas filhas. Durante dois anos vive em miséria profunda. Mas vence dois concursos de poesias e o editor Thomaz White entrega-lhe a direção do "Southern Literary Messenger".
Em 1833 lança Uma aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal. Dirige a revista por dois anos. Allan Poe gozava de uma certa reputação com leitores assíduos. Depois de sua vida estabilizada, aos 27 anos casa-se com sua prima de 13 anos, Virgínia Clemn. No ano de 1838 trabalha na Button’s Gentleman Magazine na companhia de sua esposa. O casal vivera na Filadélfia, Nova York e Fordham. Em 1847, sofre com a morte de sua esposa vitimada pela tuberculose.
Em 1849, Allan Poe lança O Corvo. Eureka e Romance Cosmogônico lhe atribuem a fama necessária para provocar a censura da imprensa e da sociedade. Desiludido, volta para Richmore e depois vai para Nova York e entrega-se à bebida. Antes de seguir para a Filadélfia, resolve encontrar-se com velhos amigos. Na manhã seguinte, Poe é encontrado por um amigo em estado de profundo desespero, largado numa taberna sórdida, de onde o transportaram imediatamente para um hospital. Estava inconsciente e moribundo. Ali permaneceu, delirando e chamando repetidamente por um misterioso "Reynolds", até morrer, na manhã do domingo seguinte, aos 39 anos e deixando uma vasta obra em sua vida de sacrifícios e desordem. Era 7 de outubro de 1849, e os Estados Unidos perdiam um de seus maiores escritores. Até hoje não se sabe ao certo o que tenha acontecido naquela noite. Teria o autor, sido vítima da loucura que em tantos contos narrou? Muitos afirmam que tenha sido vítima de uma quadrilha que o envenenou, mas o mais certo é que tenha tido uma overdose de ópio.
As obras mais conhecidas de Poe são Góticas, um gênero que ele seguiu para satisfazer o gosto do público. Seus temas mais recorrentes lidam com questões da morte, incluindo sinais físicos dela, os efeitos da decomposição, interesses por tapocrifação, a reanimação dos mortos e o luto. Muitas das suas obras são geralmente consideradas partes do gênero do romantismo negro, uma reação literária ao transcendentalismo, o qual Poe fortemente não gostava.
Além do horror, Poe também escreveu sátiras, contos de humor e hoaxes. Para efeito cômico, ele usou a ironia e a extravagância do rídiculo, muitas vezes na tentativa de liberar o leitor da conformidade cultural. De fato, "Metzengerstein", a primeira história que Poe publicou, e sua primeira incursão em terror, foi originalmente concebida como uma paródia satirizando o gênero popular. Poe também reinventou a ficção científica, respondendo na sua escrita às tecnologias emergentes como balões de ar quente em "The
Balloon-Hoax".
Logo após, alista-se num Batalhão de artilharia e matricula-se na Academia Militar de West Point. Mas com o lançamento de uma compilação de poesias em 1831, desliga-se da Academia e corta relações com seu pai adotivo, devido ao casamento com outra mulher, o que teria deixado Poe muito contrariado.
Aos 22 anos, vivendo na miséria, publica Poemas. Já em Baltimore procura pelo irmão Willian e assiste a morte dele. Allan Poe passa a viver com uma tia muito pobre e viúva com duas filhas. Durante dois anos vive em miséria profunda. Mas vence dois concursos de poesias e o editor Thomaz White entrega-lhe a direção do "Southern Literary Messenger".
Em 1833 lança Uma aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal. Dirige a revista por dois anos. Allan Poe gozava de uma certa reputação com leitores assíduos. Depois de sua vida estabilizada, aos 27 anos casa-se com sua prima de 13 anos, Virgínia Clemn. No ano de 1838 trabalha na Button’s Gentleman Magazine na companhia de sua esposa. O casal vivera na Filadélfia, Nova York e Fordham. Em 1847, sofre com a morte de sua esposa vitimada pela tuberculose.
Em 1849, Allan Poe lança O Corvo. Eureka e Romance Cosmogônico lhe atribuem a fama necessária para provocar a censura da imprensa e da sociedade. Desiludido, volta para Richmore e depois vai para Nova York e entrega-se à bebida. Antes de seguir para a Filadélfia, resolve encontrar-se com velhos amigos. Na manhã seguinte, Poe é encontrado por um amigo em estado de profundo desespero, largado numa taberna sórdida, de onde o transportaram imediatamente para um hospital. Estava inconsciente e moribundo. Ali permaneceu, delirando e chamando repetidamente por um misterioso "Reynolds", até morrer, na manhã do domingo seguinte, aos 39 anos e deixando uma vasta obra em sua vida de sacrifícios e desordem. Era 7 de outubro de 1849, e os Estados Unidos perdiam um de seus maiores escritores. Até hoje não se sabe ao certo o que tenha acontecido naquela noite. Teria o autor, sido vítima da loucura que em tantos contos narrou? Muitos afirmam que tenha sido vítima de uma quadrilha que o envenenou, mas o mais certo é que tenha tido uma overdose de ópio.
As obras mais conhecidas de Poe são Góticas, um gênero que ele seguiu para satisfazer o gosto do público. Seus temas mais recorrentes lidam com questões da morte, incluindo sinais físicos dela, os efeitos da decomposição, interesses por tapocrifação, a reanimação dos mortos e o luto. Muitas das suas obras são geralmente consideradas partes do gênero do romantismo negro, uma reação literária ao transcendentalismo, o qual Poe fortemente não gostava.
Além do horror, Poe também escreveu sátiras, contos de humor e hoaxes. Para efeito cômico, ele usou a ironia e a extravagância do rídiculo, muitas vezes na tentativa de liberar o leitor da conformidade cultural. De fato, "Metzengerstein", a primeira história que Poe publicou, e sua primeira incursão em terror, foi originalmente concebida como uma paródia satirizando o gênero popular. Poe também reinventou a ficção científica, respondendo na sua escrita às tecnologias emergentes como balões de ar quente em "The
Balloon-Hoax".Poe escreveu muito de seu trabalho usando temas especificamente oferecidos para os gostos do mercado em massa. Para esse fim, sua ficção incluiu muitas vezes elementos da popular pseudociência, como frenologia e fisiognomia.
Poe escreveu novelas, contos e poemas, exercendo larga influência em autores fundamentais como Baudelaire, Maupassant e Dostoievski. Mas admite-se que seu maior talento era em escrever contos. Escreveu contos de horror ou "gótico" e contos analíticos, policiais. Os contos de horror apresentam invariavelmente personagens doentias, obsessivas, fascinadas pela morte, vocacionadas para o crime, dominadas por maldições hereditárias, seres que oscilam entre a lucidez e a loucura, vivendo numa espécie de transe, como espectros assustadores de um terrível pesadelo. Entre os contos, destacam-se O gato preto, Ligéia, Coração denunciador, A queda da casa de Usher, O poço e o pêndulo, Berenice e O barril de amontillado. Os contos analíticos, de raciocínio ou policiais, entre os quais figuram os antológicos Assassinato de Maria Roget, Os crimes da Rua Morgue e A carta roubada, ao contrário dos contos de horror, primam pela lógica rigorosa e pela dedução intelectual que permitem o desvendamento de crimes misteriosos.
Em seus contos, Poe se concentrava no terror psicológico, vindo do interior de seus personagens ao contrário dos demais autores que se concentravam no terror externo, no terror visual se valendo apenas de aspectos ambientais.
Geralmente, os personagens sofriam de um terror avassalador, fruto de suas próprias fobias e pesadelos, que quase sempre eram um retrato do próprio autor, que sempre teve sua vida regida por um cruel e terrível destino. Nenhum de seus contos é narrado em terceira pessoa, desse modo, vê-se como realmente é sempre "ele" que vê, que sente, que ouve e que vive o mais profundo e escandente terror. São relatos em que o delírio do personagem se mistura de tal maneira à realidade que não se consegue mais diferenciar se o perigo é concreto ou se trata apenas de ilusões produzidas por uma mente atormentada.
Em quase todos os contos, sempre há um mergulho, em certas profundezas da alma humana, em certos estados mórbidos da mente, em recônditos desvãos do subconsciente. Por esses aspectos a psicanálise lança-se ao estudo da obra de Poe, já que a mesma possui uma grande leva de exemplos que ilustram suas demonstrações. Independentemente desse aspecto, sua obra é lembrada pelo talento narrativo impressionante e impressivo, pela força criadora monumental e pela realização artística invejável, fazendo com que Edgar Allan Poe seja considerado um dos maiores autores de contos de terror.
Em seus contos, Poe se concentrava no terror psicológico, vindo do interior de seus personagens ao contrário dos demais autores que se concentravam no terror externo, no terror visual se valendo apenas de aspectos ambientais.
Geralmente, os personagens sofriam de um terror avassalador, fruto de suas próprias fobias e pesadelos, que quase sempre eram um retrato do próprio autor, que sempre teve sua vida regida por um cruel e terrível destino. Nenhum de seus contos é narrado em terceira pessoa, desse modo, vê-se como realmente é sempre "ele" que vê, que sente, que ouve e que vive o mais profundo e escandente terror. São relatos em que o delírio do personagem se mistura de tal maneira à realidade que não se consegue mais diferenciar se o perigo é concreto ou se trata apenas de ilusões produzidas por uma mente atormentada.
Em quase todos os contos, sempre há um mergulho, em certas profundezas da alma humana, em certos estados mórbidos da mente, em recônditos desvãos do subconsciente. Por esses aspectos a psicanálise lança-se ao estudo da obra de Poe, já que a mesma possui uma grande leva de exemplos que ilustram suas demonstrações. Independentemente desse aspecto, sua obra é lembrada pelo talento narrativo impressionante e impressivo, pela força criadora monumental e pela realização artística invejável, fazendo com que Edgar Allan Poe seja considerado um dos maiores autores de contos de terror.
OBRAS
* A Dream (1827)
* A Dream Within a Dream (1827)
* Dreams (1827)
* Tamerlane (1827)
* Al Aaraaf (1829)
* Alone (1830)
* To Helen (1831)
* Israfel (1831)
* The City in the Sea (1831)
* To One in Paradise (1834)
* The Conqueror Worm (1837)
* The Narrative of Arthur Gordon Pym (1838)
* Silence (1840)
* A Descent Into the Maelstrom (1841)
* Tell Tale Heart (1843)
* Lenore (1843)
* The Black Cat (1843)
* Dreamland (1844)
* The Purloined Letter (1844)
* The Divine Right of Kings (1845)
* The Raven (1845)
* Ulalume (1847)
* Eureka (1848)
* Annabel Lee (1849)
* The Bells (1849)
* Eldorado (1849)
* Eulalie (1850)
* The pit and the pendulum (1842)
* A Dream (1827)
* A Dream Within a Dream (1827)
* Dreams (1827)
* Tamerlane (1827)
* Al Aaraaf (1829)
* Alone (1830)
* To Helen (1831)
* Israfel (1831)
* The City in the Sea (1831)
* To One in Paradise (1834)
* The Conqueror Worm (1837)
* The Narrative of Arthur Gordon Pym (1838)
* Silence (1840)
* A Descent Into the Maelstrom (1841)
* Tell Tale Heart (1843)
* Lenore (1843)
* The Black Cat (1843)
* Dreamland (1844)
* The Purloined Letter (1844)
* The Divine Right of Kings (1845)
* The Raven (1845)
* Ulalume (1847)
* Eureka (1848)
* Annabel Lee (1849)
* The Bells (1849)
* Eldorado (1849)
* Eulalie (1850)
* The pit and the pendulum (1842)
* William Wilson (1839)
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Florbela EspancaFlorbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930), batizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa.
Filha de Antónia da Conceição Lobo, empregada de João Maria Espanca, que não a reconheceu como filha. Porém com a morte de Antónia em 1908, João e sua mulher Maria Espanca criaram a menina. O pai só reconheceria a paternidade muitos anos após a morte de Florbela.
Em 1903 Florbela Espanca escreveu o primeiro poema de que temos conhecimento, A Vida e a Morte. Casou-se no dia de seu aniversário em 1913, com Alberto Moutinho. Concluiu um curso de Letras em 1917, inscrevendo-se a seguir no curso de Direito, sendo a primeira mulher a frequentar este curso na Universidade de Lisboa.
Sofreu um aborto involuntário em 1919, ano em que publicaria o Livro de Mágoas. É nessa época que Florbela começa a apresentar sintomas mais sérios de desequilíbrio mental. Em 1921 separou-se de Alberto Moutinho, passando a encarar o preconceito social decorrente disso. No ano seguinte casou-se pela segunda vez, com António Guimarães.
O Livro de Soror Saudade é publicado em 1923. Florbela sofreu novo aborto, e seu marido pediu o divórcio. Em 1925 casou-se pela terceira vez, com Mário Laje. A morte do irmão, Apeles (num acidente de avião), abala-a gravemente e inspira-a para a escrita de As Máscaras do Destino.
Tentou o suicídio por duas vezes em outubro e novembro de 1930, às vésperas da publicação de sua obra-prima, Charneca em Flor. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, suicida-se no dia do seu aniversário, 8 de Dezembro de 1930, utilizando uma dose elevada de veronal. Charneca em Flor viria a ser publicado em Janeiro de 1931.
Precursora do movimento feminista em Portugal, teve uma vida tumultuada, inquieta, transformando seus sofrimentos íntimos em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.
Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca - Charneca em Flor
Obras
- Livro de Mágoas, Lisboa, Tipografia Maurício, 1919.
- Livro de Mágoas Sóror Saudade, Lisboa, Tipografia A Americana, 1923.
- Charneca em Flor, Coimbra, Livraria Gonçalves, 1931.
- Charneca em Flor (com 28 sonetos inéditos), Coimbra, Livraria Gonçalves, 1931.
- Cartas de Florbela Espanca, (a Dona Júlia Alves e a Guido Battelli), Coimbra, Livraria Gonçalves, 1931.
- As Máscaras do Destino, Porto, Editora Maranus, 1931.
- Sonetos Completos, (Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade, Charneca em Flor, Reliquiae), Coimbra, Livraria Gonçalves, 1934.
- Cartas de Florbela Espanca, Lisboa, Edição dos Autores, s/d, prefácio de Azinhal Abelho e José Emídio Amaro(1949).
- Diário do último ano, Lisboa, Bertrand, 1981, prefácio de Natália Correia.
- O Dominó Preto, Lisboa, Bertrand, 1982, prefácio de Y. K. Centeno.
- Obras Completas de Florbela Espanca, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1985-1986, 08 vols., edição de Rui Guedes.
- Trocando Olhares, Lisboa, Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1994; estudo introdutório, estabelecimento de textos e notas de Maria Lúcia Dal Farra